domingo, fevereiro 18, 2007

Um toque


A quentura que sentia percorrendo meu corpo
Não era causada apenas pela proximidade da coxa dele
Nem por causa do hálito quente que vinha de sua boca
Soprando palavras banais, de paixão.
Calada, intimidada com a presença dele.
Apoiava minhas mãos sobre as coxas .
Era uma quentura deferente que senti.
Percebia que vinha do coração.
Que de lá, vazava, pelas veias, pelo sangue,
Enrubescia o rosto, deixava a mente em alerta.
Era uma sensação estranha
Que quentura era aquela que nascia em meu coração,
Tomava conta da minha razão e não conseguia entender?
Estava me derretendo com os encantos daquele moço.
Mais quais encantos, se nem bem o conhecia?
Olhei para ele, que também me olhava,
Com a expressão de garota de quinze anos perdida,
Dava até pra dizer que a expressão em meus olhos era amedrontada
E em contrapartida, os olhos dele sorriam, novamente...
Se fosse apenas sexual seu interesse,
Não teria que me empenhar tanto para permanecer
Com uma das minhas mãos paradas
Quando uma das dele repousaram sobre a minha coxa
Porque relutava em me entregar à ele
Quando sabia que era uma batalha perdida?
E porque sabê-la perdida me deixava feliz e preocupada ao mesmo tempo?
Ainda nos olhávamos e agora sim podia classificar,
Que estava amedrontada, com vontade de chorar,
Porque sabia que não daria certo.
Perto da grandeza do que aquilo poderia se tornar.
Sabia que não daria certo, fosse lá o que fosse
E os olhos dele sorriam novamente para mim
Serenos, e nem isso aplacava o medo que sentia...
- Tudo vai dar certo -
E nesse momento a mão dele comprimiu a minha
- Sente? Eu quero que tudo sempre dê certo.
Acredite nisso.
Até quando devo acreditar que querer é o suficiente?
- Nesse momento, eu sou o que te basta.




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